terça-feira, 9 de setembro de 2014

23 de agosto

Estava descendo as escadas do shopping para o estacionamento. Vi um pessoal mexendo num carro bem colorido e chamativo. É o Ken Block ali? Deus do céu, acho que é ele mesmo. Será que tenho coragem de pedir um autógrafo? 

Fui me aproximando. É ele mesmo. Vou pedir. Pedi. Ele fala português! Preciso de um canetão para ele me dar o autógrafo. Cacete, eu só comprei duas latas de Heineken: uma já está quente na minha mão e a outra que está gelada é a que tem o canetão dentro. Vou ter que abri-la e ela vai esquentar e estragar. Mas vale a pena.

Ele faz questão de autografar uma embreagem. Onde vamos encontrar uma? Fomos até a agência do Itaú que havia no shopping mesmo. Após vários minutos de espera e idas de uma sala a outra, ele voltou com a peça. Era quadrada, feita de um plástico azul-miosótis. Parecia uma peça de Tetris, na verdade. Ele a assinou enquanto saíamos para o estacionamento novamente.





Estava voltando para casa. Vinha pela pista esquerda da Avenida dos Estados. Entrei no retorno entre as duas pistas, igual no dia em que a pista da direita ficou interditada e voltei pela contra-mão. 

O carro da frente era não muito antigo, mas bem surrado. É um Logus? A placa é NQS-9780. Vi uma movimentação estranha dentro do carro. Quando o semáforo abriu e ele fez a curva, vi que a mulher no banco do passageiro estava sendo espancada pela que dirigia. Ele batia desesperada no vidro da janela, pedindo socorro. 

Pararam no estacionamento de uma loja. Eu parei o meu carro atrás, entrei num banheiro público horrivelmente sujo e liguei do celular para o disque-denúncia. "Por favor, informe sua agência e conta." "Como assim? Não entendi a pergunta?" "Ah, sim. Fazemos essa pergunta porque muita gente liga para tentar fazer consultas ao SPC. Você passou no teste. Qual é a sua denúncia?"

Neste momento, a agressora viu o que eu estava fazendo e mandou outra pessoa para me impedir de sair do banheiro. Saí correndo, entrei no meu carro e tentei fugir. Senti uma pontada de dor no ouvido. Ela veio atrás de mim numa perseguição à la Mad Max. Virei no sofá para ver se a dor passava. Após alguns minutos correndo e só pensando no que faria caso tivesse um semáforo fechado à frente, não a vi mais no retrovisor…


Que dor insuportável. Não vou mais dormir com a cabeça mais baixa que o corpo. "Aff, você veio dormir no sofá porque eu ronco?" 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Um porta-copos
Dois corpos

Felação
Relação
Tensão
Redenção
Atenção

Minha bunda
Tuas mão

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Hora do almoço. Ah, droga, esqueci minha marmita, mas não vou gastar dinheiro pra almoçar. Vou buscá-la. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Saía de uma das salas comerciais na rua General Osório. Indo para casa, subia-a calmamente, a despeito da chuva. Na metade da subida, olhei para baixo e senti um gelo na barriga. A enchente estava crescendo, já chegava quase no lugar onde eu estava. A água fazia um movimento de vai e vem, como o mar na praia. Quanto mais ela recuava, mais eu sabia que ela avançaria em minha direção depois. Foi um pouco, voltou um pouco. Foi, voltou. Foi, voltou. Foi, voltou. De repente, foi. E foi. E foi. Comecei a correr para chegar ao cume da rua. Ela agora voltava. E voltava. E voltava. O frio subiu pelos meus tornozelos e aliviou a câimbra que sentia nas panturrilhas de tanto correr, me impedia de movimentar as pernas, envolvia meu corpo inteiro e me levava para a paineira…

Que vontade de fazer xixi. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Vou aproveitar que saí mais cedo do trabalho e resolver logo esse problema do carro. Ah, droga, esqueci a carteira. Vou deixar ele aqui e voltar a pé pra casa, rapidinho. 

"Sai do carro", disse ele, com uma arma na minha cabeça. Frio na barriga. "Deus, isso não está acontecendo comigo". Comecei a chorar…

Acordei. Nem acredito que isso não aconteceu de verdade. Estou tão aliviada que vou até a garagem pelo prazer de vê-lo íntegro. Depois vou levá-lo para resolver aquele problema chato. 

"O que aconteceu aqui?!", perguntei quase gritando. "Desculpa, bati seu carro no Linea na hora de guardar, mas juro que vou pagar o conserto assim que possível". O Linea estava com a lateral toda torta na garagem. O Ka havia sido destruído na frente. A água do radiador ia formando uma poça no chão. Eu não sabia o que dizer.

Acordei de novo. Vi o certificado de garantia que a oficina me deu no criado mudo. Nem vou descer lá, que é pra não arriscar de novo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vou aproveitar que estou lavando a louça e deixar a garrafa térmica limpa para amanhã. Nossa, quanto café. Pensando bem, é um desperdício fazer tudo isso, pouca gente beber e jogar tudo fora depois.

Vou fazer bem pouquinho café, já que o pessoal anda bebendo pouco.

— Pô, o café já acabou? Vocês tomaram muito?
— Não, eu é que fiz pouco.
— Pelo amor de Deus, Maiza, como você é capaz de fazer pouco café de manhã? Depois do almoço é compreensível, mas de manhã? Agora vou ter que perder uns dez minutos pra fazer mais!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

























Meu carro ficou legal conversível. A porta ficou leve. Ainda preciso me acostumar com ela.



Sempre tenho medo de entrar na garagem. Hoje está pior. Não sei se é noite ou se é dia. O que essas pessoas querem comigo? Por que estão atirando no meu carro? Quando vão parar? Quero sair mas não quero morrer. Parem, pelo amor de Deus.






Como é bom acordar e não estar sozinha.





















Que barulho é esse? E se for alguém? Saio do carro ou não? Não posso passar a noite aqui. "O que você está fazendo?" "Vim ver uma coisa no manual do carro. Que barulho é esse?, é o Max?" "Não, é esse banner que penduraram no poste, quando venta ele fica batendo e fazendo esse barulho."

terça-feira, 23 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

11 de abril

Como assim, R$ 10.421,23 para fazer o seguro da cobertinha?

Não, espere, vou analisar a proposta. Espere, tenho mais o que fazer agora. Às 14h te dou uma posição. Deus, já são 16h30. Preciso me decidir. Bom, pior que ano passado não vai ser, vou contratar o seguro sim.
Pequena e fria,
como minha cama.