Estou me sentindo tão leve. Meu Deus, será que eu morri mesmo? Desci até a garagem com alguém, onde meu corpo estava. Sou eu mesma ali? Só vejo os pés. Não quero ver o meu rosto. O aspecto dos rostos dos defuntos que já vi é a coisa mais triste e assustadora do mundo, para mim: traços tão conhecidos, tão queridos, tão importantes, sem vida, prestes a se decomporem e desaparecerem. Não, não quero ver o rosto do meu cadáver.
Vi de relance. Deus, o que eu faço? Quando meu corpo se decompuser, será que o que resta da minha consciência vai desaparecer também? Provavelmente sim. Senti um vazio existencial que só a iminência da morte definitiva traz.
Ué, mas já são 13h? Uma das luzes do aquário está fraca, vou ter que comprar outra lâmpada. Ah, droga, minha coridora morreu.
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